Cérebro Mastigado

terça-feira, maio 30, 2006

MONOGAMIA NÃO É A TI QUE ODEIO



O Kalango lançou um livro de poesia.
"Kalangueando na parede dos versos".
Estudante de Direito, aborda assuntos desde política e direito ao Amor.
Sarcástico e um tanto descrente na sociedade: "sinto-me em uma peça onde os protagonistas não sabem atuar", é assim que Rogério Chalú manifesta seus pensamentos através de sua arte. Interessados: posso intermediar a compra. Custa apenas R$10,00, e digo que vale a pena. Saquem só:


MONOGAMIA NÃO É A TI QUE ODEIO, MAS
Teu eterno rodeio, tua angústia sem medo,
A imposição de teus seios, o ciúme que creio,
Teu ridículo desprezo, o instinto sem freio,
Tudo que há no respeito, a postura, o senso

Monogamia não é a ti que odeio, mas
O conluio perfeito, teu esquecimento rasteiro,
As horas que temo o amor transcendente,
Teu último beijo, o perigo do término,
O detrimento do peito.

Monogamia não é a ti que odeio, mas
A usurpação do meeiro, a rotina do tédio,
A fidelidade sem jeito, teu sensato conselho,
O cambaleamento do ego, o infinito desejo.

Monogamia não é a ti que odeio, mas
O modelo que tenho, o manejo que perco,
O crime que nego, a moral que odeio,
A dívida do sexo, a briga dos erros.

Monogamia não é a ti que odeio, mas
Os vícios que a ti escrevo.
Não me leve a mal
sempre fui teu amigo mais fiel,
teu carinho, teu cheiro,
sem meio termo é
assim que te meço;
se ficares triste não te esquece,
tenho o que mereço.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

luciana,
muito obrigado pela mídia
O kalango agradeçe.
A poesia paraense vai
Crescer mediante essas atitudes.
estou com pretençoes de feitura
De um segundo livro.

O corsário do amor

Recordo-me dos olhos imundos
Que não tinham pudor.
Desejavam as coxas,
As bundas.

Esses olhos não eram
De um falsário,
Mas de um corsário
Que navegando por
Corações inquietos,
Lá roubava a solidão.

Muitas vezes naufragou
Atrás de tesouros que
Não encontrava.

Nem por isso desistiu.
Aportando no paraíso
Encontrou uma sereia
E por ela se encantou.

Viviam felizes,
Até que um dia os tubarões
Comeram seus olhos,
E as lembranças o mar levou.
Em um cofre ainda resta
O coração do corsário,
Que morrera por causa do amor.

20/6/06 13:52  

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