Cérebro Mastigado

quarta-feira, julho 19, 2006

Descole, sapateiro!

Era moreno, aproximadamente 30 anos na cara, morador de rua, andava com um tijolo embaixo do braço esquerdo, onde guardava seus pertences (ilícitos?), cheirava cola, muita cola.
O destino, ironicamente, quando andava lamentando certos percalços, o pôs diante de mim e por um milímetro escapado, não o atropelei esta tarde. Desleixos de minha parte de lado, o cheira-cola praticamente não andava, arrastava-se pelo meio fio, cambaleando para lá, para cá e para lá denovo!
O fato é que quem quase caira por si próprio, caiu por um empurrãozinho meu. E lá estava o coitado jogado no chão, completamente embriagado. E eu, do outro lado, estática, porém, indignada. Acelerei e indignei-me por ser revel juntamente com toda a sociedade da qual faço parte ao passar durante toda a vida, por diversos locais do país inteiro, e ver cenas de meninos a adultos cheirando cola indiscriminadamente.
Existe uma Lei, que discrimina as substâncias entorpecentes (que causam dependência física ou psíquica) – Lei 6.368. O art. 36 desta lei diz que uma portaria do Ministério da Saúde irá elencar as substâncias entorpecentes. A venda de substâncias que não estejam elencadas nesta portaria, será enquadrada no art. 81, III do ECA- Estatuto da Criança e do Adolescente. É o caso do tinner, da cola de sapateiro, do xarope, etc. Em outras palavras, cola de sapateiro não é droga, pelo simples fato de o legislativo ignorar por completo as diversas pesquisas que apontam a cola como substância que causa dependência tal como a cocaína; as que qualificam como alucenógena e mais, pesquisas apontam ser a cola de sapateiro, a substância mais consumida, perdendo apenas para o álcool e para o tabaco, o que já ensejou inúmeros Projetos de Lei, que não passam de embolo de papel até a presente data.
Sendo assim, o menor (ou maior) que é pego, com a cola de sapateiro, não está praticando nenhuma infração – a conduta dele é atípica (só seria típica se ele tivesse utilizando alguma das substâncias do art. 16 da Lei 6.368 – de entorpecentes).
Pergunto-me quem ganha com essa revelia. Porque eu até hoje só perdi. Perdi sossego, paz, e hoje quase perco o carro! O cheira-cola, então, esse nem se fala. É quem mais perde nesta história toda, porque neurônios não se recuperam!
Ganhariam então as indústrias? Ou o próprio governo recebendo senão propinas descaradas (a exemplo do Mensalão), propinas justificadas, que é o que eu chamo de impostos?
O que falta para obrigarem a substituição dessa substância por outra (à base de água) que não seja tóxica e entorpecente, se outras muito menos consumidas já foram restringidas, a exemplo da anfetamima? Quem, na verdade, pode ser punido, é quem vende ao menor (exclusivamente) tais substâncias, vide art. 243 do ECA:
"Art. 243. Vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida.
Pena: detenção de 06 (seis meses a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não constituir crime mais grave."
Mas não se preocupe, vendedor! Sendo crime de pequeno potencial ofensivo, isto pode no máximo lhe custar umas cestinhas básicas!
Quanta Lei exdrúxula!
Existe algum 'Alô, alô, Vereador! ', de preferência 0800??

segunda-feira, julho 10, 2006

Ponto de Equilíbrio


Cada um há de buscar em si seu ponto de equilíbrio.
Assim como Céu e Terra, Vento e Mar, positivo e negativo, o bem e o mal são faces de uma mesma moeda e estão opostos porque se harmonizam; Assim como nossa matéria se equilibra na região umbilical, nossa mente deve ter um ponto em que se nos dê equilíbrio e estabilidade.
Equilíbrio este difícil de ser mantido para algumas pessoas.
É como dizer às meninas para não darem piti ao verem uma barata;
à namorada para não se descabelar com o namorado quando este preferir olhar para outro rabo de saia;
ao juiz que não se torne alcoólatra por estar longe de sua família;
à menina viciada para que seja forte e não ceda à seu vício.
Se falar adiantasse, o mundo seria outro.
Apenas a meditação é capaz de nos revelar nosso ponto de equilíbrio. Reparem que quando falo em meditar, não significa ficar na posição de Buda durante duas horas e se alimentar de vento. Até quando meditamos temos que manter o equilíbrio, e só quem consegue é quem não tem medo. Medo de se deparar com um universo obscuro e um caminho difícil, pois o espaço que separa a loucura da sanidade é muito curto.
Fui criticada outrora por não tolerar choramingos. Fria, insensível... de tudo me taxaram. Acredito que o riso exacerbado -aquela gargalhada forçada- assim como o choro sejam sintomas de desequilíbrio emocional. Sei que se deve chorar, se assim quisermos, mas por quê de não o fazermos quando estivermos a sós? Porque alguém deve ser testemunha de tamanho descontrole?
Não dá para sequer conversar quando se atinge a um extremo como esses. A respiração fica ofegante, o coração apertado, a boca saliva mais do que o normal, os olhos mais parecem um lago.
Muitas pessoas inclusive se beneficiam de momentos como este. O outro acaba ficando penalizado, ou pelo menos a situação é amenizada. Quantos maridos já deixaram de terminar um relacionamento já falido ao se confrontarem com uma mulher dramática, fraca e insegura de si?
Costumam dizer que "Homem não chora". Em ambos os gêneros, concordo. Podem chorar se quiserem, mas prefiro os que mantém o controle.
Percebam que manter o controle, alcançar um equilíbrio, não significa ficar encima do muro. É possível mostrar sua tristeza ou qualquer que seja o motivo do choro, sem chorar; é possível rir da piada super engraçada, sem dar aquela gargalhada de acordar a vizinhança; é o que se chama de Firmeza.
A Banda Ponto de Equilíbrio, de Vila Isabel- RJ, que fez show em Belém nesta sexta-feira última, é quem consegue fazer meditar através de seu Reggae, quando voz, baixo, violão, percussão, bateria e flauta se alinham e conseqüentemente se harmonizam com o conteúdo de seus versos. Há muito que não via pessoas com tanto talento, tanta personalidade, tanta humildade, e mais, que conseguisse enxergar o amor com tanta claridade ao atribuir-lhe a preliminar da verdade. Pois o reflexo da verdade atrai todas as pessoas para a verdade e, na medida em que entram na verdade, acabam deixando para trás todos os reflexos.
Finalizo com os próprios:
Música: Ponto de Equilíbrio
"Jamais perca seu equilíbrio,
Por mais forte que seja o vento da tempestade
Busque no seu interior o abrigo.
De que valem os dreads? De que valem?
Se as palavras são em vão.
O que lhe faz um rasta filho de Jah, é a alma e o coração.
Eu e eu buscando o Ponto de Equilíbrio,
Entre nós e o Eu dos irmãos que andam no mesmo caminho:
Ama todos os seus irmãos como Sol a nos iluminar,
Sem nada pedir em troca, nem ao menos um olhar.
Uma árvore sem raiz não fica de pé: raízes, raízes.
Do que adianta saber sua história se não buscas a fé..."

segunda-feira, julho 03, 2006

Copa SUX -The EnD!

Estão falando que os jogadores e Comissão técnica foram comprados nesta Copa do Mundo que nem foram em 1998, na França.
É obvio que houve máfia. Mas não atribuo à corrupção de jogadores, e sim à venda do Brasil ao sistema comercial que envolve o futebol.
Não precisamos ser mágicos para dimensionar as proporções que uma Copa do Mundo atinge, tanto em número de expectadores e envolvidos, quanto pela economia que dela decorre. Existem outros eventos grandiosos como esse, mesmo assim não faturam nem perto do que a grandiosa World Cup.
Analisando os acontecimentos prévios à Copa, é óbvio constatar que dentre tantas estrelas brasieliras, o Cafú não poderia ser escalado para o time nem mesmo para o banco de reservas, pois passara por uma cirurgia recente; o 'Fenômeno' tampouco, por estar fora do peso ideal; o Roberto Carlos por já não render mais como lateral esquerda como outrora. Como justificar então suas contratações??
Imposição comercial! Ou acham vocês, que a Nike aceitaria perder indimensionáveis direitos de imagem e de merchandising que justifiquem tamanhos patrocínios?
Certo fez o Felipão, quando técnico da seleção na Copa das Confederações, momento em que nenhum técnico procurado aceitou conduzir o time (mesmo com um salário mensal de duzendos mil dólares), impôs suas condições. De prima, barrou Romário! Isso mesmo, Felipão vetou o grande goleador Romário, contrariando não só Ricardo Teixeira, como todos os torcedores, lembram? Não duvido de que se fosse nosso técnico nesta Copa, teria ao menos condicionado a ida de Ronaldo à sua chegada em seu peso ideal, pois sabe-se que estava há 2 meses sem treinar no Real Madrid, e já vinha se indispondo com o time há tempos, por não estar dando mais frutos seu futebol.
Como Parreira afirmou, os jogadores estavam (e ainda estão) eivados de vaidade, do contrário o Gaúcho teria se preocupado mais em ir bem nos jogos, ao invés de arrumar uma faixa ridícula para prender seu cabelo ridículo. E se a faixa lhe foi imposta por alguém, mais uma demontração de que um contrato comercial estava sendo consagrado!
Desta forma, Parreira nunca conseguiria "administrar as vaidades", como lamentou, tendo que aceitar imposições comerciais tamanhas. Até o menino kaká fechou contrato com a Globo.com para manter um BloG diário, com informações dos bastidores da Copa.
Se é que podemos responsabilizar alguém por esta derrota, é Ricardo Teixeira, presidente da CBF, por ser coadjuvante dos milhões de dólares envolvidos. Parreira fez o que pôde. Quando viu que não poderia fazer mais nada, calou-se, como no último jogo, onde não soltou um "corre por ali!", "olha a marcação!".
Perder uma Copa do mundo não é desvantagem para jogador brasileiro nenhum, pois mesmo assim engordam suas contas bancárias com publicidade, marketing, possibilidades de contratação exterior, etc. Do contrário, Roberto Carlos não teria dado a seguinte declaração após a derrota: "os brasileiros estão muito acostumados a ganhar uma Copa do Mundo, quando perdem, acham que o mundo vai acabar".
É fácil falar assim quando se mora (e muitíssimo bem) em Madri, com um salário mensal de milhões e em dólar.
Coitados somos nós, brasileiros, que não ganhamos na política, na economia, na educação, na saúde, e nem no futebol!